E mais uma vez isto parou, muito devido ao trabalho, a falta de inspiração (como se alguma vez tivesse quando escrevo para o blog) e o facto de o parceiro não ter ajudado muito —para não dizer nada — tirando aquele post onde prometia 1 post por dia…muito político da tua parte Zoé, muito mesmo!

Mas o blog até se tem movimentado, bem, quer dizer o post sobre o Vinci GT têm-se mexido, com comments que de momento me falta um adjectivo correcto para os descrever, mas que no entanto mostra o quanto prezo a liberdade de expressão de cada um que os escreveu para lá. Questiono-me no entanto pelo facto de no caso de ter criticado a túnica do Papá ou mesmo o sudário de Jesus (dizendo que era demodé e tal), se o mesmo teria causado assim tanto alvoroço e tantos comments de escárnio e ódio?

Hoje é um daqueles dias em que necessito MESMO de desabafar e pensei “Porra… e que tal aproveitar o facto de ter um blog com o nome “O Desabafo” e…sei lá… desabafar?” Mas esta súbita vontade é em muito devida a um Munícipe, que hoje contribui para o facto de ter decidido nunca mais fazer atendimento ao público. Nunca mais! (Aproveitando até o facto da Autarquia possuir a secção de atendimento e tal). Eu apenas facultava esse serviço (o atendimento, lá está…) pelo facto de entender melhor os problemas dos Munícipes e tentar resolvê-los da melhor e mais rápida maneira possível, aliado a ter prazer (cínico, eu sei…)em acalmá-los dizendo-lhes que as coisas vão ser resolvidas…um dia destes!

O Munícipe em questão, fez-me lembrar aqueles senhores que estão no talho ou peixaria de um Hipermercado e não tiram o ticket, passando a frente de tudo e de todos e mesmo sem nenhuma razão, reclamando de forma animal com os demais que estavam para ser atendidos na fila. Hoje foi a sexta vez em menos de um mês que gramei com o dito e depois de lhe tentar explicar a demora (e o facto de eu já não poder mais com ele, pelo meio, de uma maneira civilizada, claro, que eu sou bem comportado), visto que o processo já não estava comigo, não dependendo assim de mim mas de outra secção, ou seja, burocracia pura e dura. Mas no fundo ele não quis entender e continuou a dizer que 2+2=5 mesmo depois de eu lhe explicar que era, imaginem, 4! E foi aqui que desliguei e simplesmente continuei a acenar com a cabeça, sem ouvir minimamente o que ele tinha para dizer, tipo o que acontecia nas aulas do Charlie Brown, onde só se ouve a professora “blá, blá, blá”, mas eu não ouvia isso, mas sim um guinchar de um suíno em aflição, imagem perturbadora, eu sei.

Depois de 40 minutos disto, acabou por ficar tudo como estava, tirando o som do suíno a guinchar na cabeça, iiiihhhhhhuuuuuiiiihhhhhh.

Acho que nunca mais vou comer carne de porco…:|

Postado por Ulmi®



One Response to “Há dias assim…”  

  1. 1 nao interessa

    Os desabafos, as incoerencias, as paciências são problemas dos problemas.
    isso passa com o tempo até o site ser desactivado… mas a função pública é do best… mas mm, mm , mm , mm bom é os Açores…
    Compreendem pq!!! …”e ainda dizer que a insulariedade apura dos alelos alentejanos dos açorianos…”
    Festas, festivais e etc.
    02-09-2007
    por Ramiro Carrola

    Passou-se isto há já uns bons anos. Era Verão. O engenheiro responsável de uma obra na Terceira falava ao telefone com a Firma em Lisboa, pedindo de lá uns quantos serventes de pedreiro.

    Fundamentando o seu pedido, alegava que, de Maio a Outubro, o recrutamento de mão-de-obra local, com garantia de assiduidade, era como ganhar a taluda do Natal… Depois, desligado o telefone, o engenheiro, ao voltar-se, viu ao fundo do escritório um velho amigo de Angra que ali fora para tratar com ele de negócios. Então, dissimulando a custo o embaraço o engenheiro, com as orelhas a arder, desculpou-se dizendo ao amigo que dissera aquilo ao telefone apenas para forçar a sua Empresa a enviar-lhe urgentemente mais trabalhadores. O prazo para a entrega da obra era apertado. “E o seu incumprimento”, disse ele, “é penalizado com as sanções da lei e o desprestígio no mercado da Firma…” E o outro pensava, abanando a cabeça: – “Como eu te entendo, amigo! Mas com touradas na rua todos nos dias, festas e festivais por tudo quanto é sítio, com montes de bebida e muita pândega até às tantas, quem vai ao outro dia, às oito da manhã, trabalhar?…”

    Lembrei-me disto (que aceito não ser assunto ‘politicamente correcto’, mas lá que se passou, passou, e me foi contado por um dos protagonistas) – ao ler no Diário Insular que ‘as festas e touradas na Terceira provocam um absentismo que quase leva empresas de construção civil à falência’. O absentismo ao trabalho no Verão é muito elevado, chegando a atingir os 40 por cento na semana das Sanjoaninas e na das Festas da Praia. Com os consequentes prejuízos, e que não são apenas os de quebra de facturação das Empresas que, num mercado competitivo e global, se quiserem manter-se à tona e sobreviver, não podem deixar de ser 100 por cento profissionais e eficientes. Chega a parecer não haver mais mundo para além de um frenesim ‘de festa’, quando Maio chega. E então, de Maio a Outubro, da mais pequena Freguesia à ‘Angra Sempre em Festa’, num crescendo de oferta, é por todo o lado uma explosão de festas, festivais, touradas à corda. Tudo em grande estilo! Por toda a ilha. Cada Freguesia rivalizando com a Freguesia vizinha. Cada comissão de festas e cada organização de festival, acabado o evento (como agora se diz) desse ano, logo se afadigando, caprichando, sem olhar a custos, para que as suas festas e festivais do Verão seguinte sejam ainda maiores e melhores que as do ano anterior. Olaré! Assim se fica na história. E tais tarefas, ingentes, não são só das comissões e organizações dessas festas. Para que o êxito da coisa seja estrondoso, para que dê muito que falar, também à coisa metem ombros, e, evidentemente, bastante dinheirinho público, do bolsinho pois então do contribuinte – goste-se ou não se goste de festanças -, também à coisa metem ombros, dizia eu, os respectivos municípios e Juntas de Freguesia. E toca então, com afã, à compita, a idealizar as linhas-força da próxima programação. Estabelecendo contactos, avaliando o mercado artístico, ajuizando para, com foguetório, se trazer à terra o/a cantor/a da moda de música pimba e, claro, absolutamente indispensável, a ‘banda’ de rock mais na berra (leia-se 4 ou 5 maduros sem perceberem patavina de música a berrarem e a darem pulinhos ridículos num palanque). Igualmente irrelevante que o cantor pimba desafine, não leia uma pauta musical, e que sua voz de cana rachada não deva ir além do perímetro do recato do duche matinal. E os simpáticos jovens e adolescentes, tantos deles facilmente aliciáveis e manipuláveis, atiram-se todos eufóricos de cabeça a esses ditos eventos, para neles ‘curtirem’ à brava… A este propósito: apenas alguns dos dados ‘da curtição’ do recente Festival Freedom, em Elvas: quinze mil doses de droga apreendida; cento e tal detenções; mais de trinta internamentos hospitalares; e a morte de uma rapariga por overdose.

    Alguns cínicos de outras ilhas, costumavam falar desdenhosamente de Angra (a Terceira) ser um ‘estaleiro de festas’… De repente, porém, sucedem-se festas e festivais à grande por todo o arquipélago. Não há, agora, lugarejo de Freguesia, de Santa Maria ao Corvo, que não tenha também a sua festa rija, importando-se do continente ou do estrangeiro, tanto faz desde que esteja na moda, o cantor de música pimba e a ‘banda’ de rock – para curtir e animar a malta, que tristezas não pagam dívidas e a vida são dois dias. Não há dinheiro para a limpeza das ribeiras? Nem para a reparação da estrada municipal cheia de buracos? A calçada que todos os dias subo pede vassoura de cantoneiro há semanas, e, de tão suja, mais parece coisa terceiromundista? Tudo bem… Desde que, neste sufocante emagrecimento do Estado e neste aperto de tesouraria (falência) do poder local – os presidentes de Câmara e de Junta de Freguesia não sejam uns unhas de fome a dar o respectivo subsídio chorudo, pois então, para a ‘nossa’ adorável festa. Dinheirinho dos meus impostos, claro. ||


Leave a Reply